segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Gertie


Então apoiava a prancheta no joelho direito, com a mão esquerda a segurá-la pelo bordo superior. Sem qualquer apoio, assentava então o lápis verticalmente na folha e começava a desenhar, de forma que as linhas lhe saíam do ombro, digamos. E tudo ficava ordenado. Se cometia um erro, o que era extremamente raro, deitava fora a folha: ignorava a borracha. Schiele só desenhava a partir da natureza. Eram, essencialmente, os contornos, que apenas adquiriam o seu carácter plástico quando recebiam a cor. Incluía sempre as cores de memória, sem modelo. Heinrich Benesch[1].
Gertie, a minha criação tridimensional sobre a pintura escolhida, teria de nascer da mesma forma que nasciam as criações espontâneas e expressivas de Schiele. Por isso mesmo escolhi esta citação de Benesch que nos descreve como Schiele desenhava, porque a partir dela também posso caracterizar a forma como criei.
(...)
De facto, o instrumento que mais utilizei, e o melhor que podia ter utilizado, foi precisamente a Expressão – expressão pura, espontânea, genuína, intuitiva, sentida.
[1] Citação transcrita de Schiele, de Reinhard Steiner (Taschen), traduzido.

sábado, 6 de dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Vão na corrente pendentes


2.Abril.2008
Digital
2592x1944 1,41MB
Vão na corrente pendentes... - para quê dizer mais, se o título diz tudo?
Já a imagem, isso é outra coisa. O que tem a dizer, alguém o dirá.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O que ela escreveu um dia

"5 Setembro 2008 - 0H09
Então e os dias em que não escrevo? Onde é que estou? Onde é que fui? Onde é que isto vai parar?
Escreva ou não escreva.
Vivo, adormeço, mal sinto, absorvo, vejo, leio, não sou, sonho, penso, imagino, perco a razão, perco-me, não sei onde estou, estou no mesmo sítio, sempre, e depois acordo por breves instantes, e então? Sou influenciada. E então... Não sou nada.
Afinal não sou nada.
A minha fraca existência, para além da constatação da minha fraca composição corpórea, da minha carne putrífica, não é mais que um seguimento desmedido e incoerente de influências mal pensadas e que no entanto resultam em pensamentos constantes, sonho de alguém que nunca vou ser, porque eu nunca sou.
A minha fraca existência nem isso que pretende ser é.
Eu não sou nada. Talvez ninguém seja alguma coisa, (...) porque só o que está em frente é que as pode fazer serem, por isso quando chegam lá, são."

sábado, 25 de outubro de 2008


Sem qualquer palavra que possa importunar isto.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Versos em inglês

Sometimes I realy don't understand waht people say.
Sometimes, attention is something I don't pay.
But that is my own way (not a lack of faith)
To live in this world,
That is confused, dark and unprayed.

Ás vezes dou por mim a pensar em poesia em inglês e às vezes acabo por escrever qualquer coisa em pequenos papeis que depois espalho na minha gaveta da mesa de cabeceira. Creio que faça isso por uma vaga remeniscência do meu desejo de cantar, de fazer parte de um projecto de música e da afinidade que encontro em algumas letras de bandas que gosto.
Creio ainda que por vezes tenha mais a ver com o acontecimento que foi ler o meu primeiro livro de poesias bilingue (Fifthy poems, Ian Hamilton), que para além de me ter aberto a novas poesias, também me deixou intrigada, desde aí (e já lá vai algum tempo) até hoje mesmo: como é possivel fazer-se tradução de poesia? Não acredito que seja possível, por mais respeito que tenha pelos tradutores que o fazem de boa vontade.
Estes verso que hoje publico apareceram-me subitamente e eu tive de os anotar logo, para não os deixar fugir. Por isso, lá para as 6:32H am de um dia da semana que passou, sento-me na borda da minha cama, tiro um dos tais papéis da gaveta e escrevo isto, pensando apenas que não podia atrasar-me para ir para a faculdade, que é algo muito possível de acontecer.
Apenas uma observação: por mais que eu esteja a gostar de pensar poesia em inglês, não sei assim tanto dessa língua, e portanto se me vierem dizer que unprayed não existe, eu responderei então que seja unsaved.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Poema encenado

Fazes bem em não me dizer
Que sabor tem a mão que apertou.
Fazes bem em não me dizer
De que cor é uma vida parada.
Faço bem em não saber
O que aconteceu que nos afastou
Porque eu sei bem de cor
Que nós não sabemos nada.


E ela disse isto num esgar
De piedade por si e pelo que sentiu,
Com medo do que não resistiu.

Mas depois, segura do que estava
Em frente, sente e não mente
E seguiu. Largou o que carregava
E não fugiu: riscou o que outrora sentiu.

Num trejeito característico do pensar
As palavras bonitas que deseja,
Onde quer que ela esteja,
Escrevem-se num murmurar.

Afinal tudo isto se passou
Nos seus românticos pensamentos
Que em todos os momentos
São infelizes
Ou engenhosos.


24 Abril 2008.
Por acasião de ter recordado os meus poemas ontem e por uma outra ainda, mas que não interressa assim tanto. É um poema encenado que nada tem a ver com os que aqui ja publiquei, porque tal como lhe chamo encenado, fingi para o escrever. Só uma nota: os últimos dois versos são na verdade um só, um verso quebrado, mas a formatação do blog impede-me disso.