Então apoiava a prancheta no joelho direito, com a mão esquerda a segurá-la pelo bordo superior. Sem qualquer apoio, assentava então o lápis verticalmente na folha e começava a desenhar, de forma que as linhas lhe saíam do ombro, digamos. E tudo ficava ordenado. Se cometia um erro, o que era extremamente raro, deitava fora a folha: ignorava a borracha. Schiele só desenhava a partir da natureza. Eram, essencialmente, os contornos, que apenas adquiriam o seu carácter plástico quando recebiam a cor. Incluía sempre as cores de memória, sem modelo. Heinrich Benesch[1].
Gertie, a minha criação tridimensional sobre a pintura escolhida, teria de nascer da mesma forma que nasciam as criações espontâneas e expressivas de Schiele. Por isso mesmo escolhi esta citação de Benesch que nos descreve como Schiele desenhava, porque a partir dela também posso caracterizar a forma como criei.
(...)
De facto, o instrumento que mais utilizei, e o melhor que podia ter utilizado, foi precisamente a Expressão – expressão pura, espontânea, genuína, intuitiva, sentida.
[1] Citação transcrita de Schiele, de Reinhard Steiner (Taschen), traduzido.



