De voltas as traças, mas não com a mesma intensidade porque parece que com o poema da traça encerrei uma relação obsessiva, mas precisamente pelo poema Eu sou uma traça, que por razões (fortes e) de rigor tive de alterá-lo. O poema pode ser lido na sua versão corrigida neste mesmo Caderno, na publicação que já tinha sido feita. Foi bastante difícil para mim alterar uma criação já acabada, porque tenho outros poemas, por exemplo, que ainda estão em processo, que ainda estão inacabados e eu sei disso, admiti-o e senti-o. Mas este poema, já o sentia acabado... E é por isso mesmo que não altero o Longa e Pronfunda Golfada, poema que juntamente com o da traça e outro que não publiquei aqui, mostrei à minha professora de Português para uma opinião diferente e talvez mais rigorosa. Então, a professora Armanda sugeriu que alterasse um verso no Longa e Profunda Golfada, verso esse que é um pouco longo demais e não é muito fácil foneticamente. Tudo isto já se passou há alguns dias, mas hoje enfim decidi-me definitivamente como alteraria o Eu sou uma traça. E então achei que o melhor que tinha a fazer, depois de alterá-lo em todos os sítios onde o tinha escrito, era deixar uma nota de aviso, para que não hajam dúvidas.
E tudo isto, tal como a conversa que tinha tido com a professora enquanto analisávamos os poemas juntas, fez-me pensar no processo de criação e na relação que acabámos por ter com as nossas criações e a importância e sentido que lhes damos. Depois de acabadas, já não podemos fazernada por elas, veivem por si próprias, terão espaço para crescerem e voarem sózinhas, às mãos, olhos, compreensão, razão e sensibilidade dos outros, e aí podemos ajudar, divulgando-as, publicando-as, libertando-as aos outros.